Quase três anos depois, na manhã de quarta, 26, Alexandre de Moraes, relator do inquérito que investigou o envolvimento de Jair Bolsonaro numa suposta tentativa de golpe de Estado, praticamente sacramentou o destino do ex-presidente. Segundo o ministro, foram levantadas provas robustas de que o Brasil esteve na iminência de um retrocesso democrático. O plano teria sido colocado em prática em 2021, quando o então presidente passou a desferir ataques às instituições, particularmente ao Supremo, e colocar em dúvida a lisura do processo eleitoral. O processo, de acordo com o relator, foi avançando, ganhou forma após a vitória de Lula e atingiu seu ápice no dia 8 de janeiro de 2023 com a invasão dos prédios do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo. Antes de anunciar seu voto aceitando a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Bolsonaro e sete ex-assessores, Moraes exibiu vídeos com cenas da depredação, que ele rotulou como uma “violência selvagem, uma incivilidade total com pedido de intervenção militar, de golpe de Estado”, e destacou a participação do ex-presidente na elaboração do plano liberticida. Mesmo tendo ressaltado que não era o momento de entrar no mérito das acusações, o ministro vaticinou: “Não há nenhuma dúvida que o denunciado Jair Messias Bolsonaro conhecia, manuseava e discutiu a minuta do golpe. Isso não há dúvida”.